Tabacaria.


Pagando de folk-rock II

fim da linha.

 

As visões de todos condenados
Gritando o certo e o errado
Querem que eu siga o caminho marcado pra seguir.

Mas as trombetas estão erradas,
Anunciam tanto o fim da estrada.
Mas não sabem que eu sei que te encontro se sorrir.

Num dia
Num dia
Num dia, claro como você.

E em todas casas que eu estive
Me ofereceram cigarro e whisky
Olhei e os espelhos também olhavam pra mim

E me disseram, enfadonhos
Pra desistir de todos os meu sonhos,
Mas não é assim, eu não nasci pra te perder.

Num dia
Num dia
Num dia, claro como você.

E as betoneiras num beco escuro
Querem que eu seja mais um tijolo nesse muro
Mas eu sou muito doido pra querer me encaixar

Eu não tenho medo de te olhar
E o tempo pode me condenar
A partir querendo nunca mais sair dali

Eu ainda volto algum dia,
Seja nessa ou em outra vida
O destino me deu asas só pra te rever.

Num dia
Num dia
Num dia, claro como você.



Escrito por Igor às 20h07
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Escola de Sagres II

Saudade é uma palavra tão complicada, que só existe em português.
Acredito que é preciso sentir e viver muito pra entender o que isso realmente significa. Como os navegadores. Partir, quando o que mais se queria, era não sair nunca.
E não saber quando se volta.
É tanta alegria e dor numa palavra só, que os outros idiomas devem ter preferido evitar isso tudo.
Eu me perco na origem etimológica da saudade, até hoje ninguém está realmente certo de onde ela veio: da poesia das ilhas latinas, ou do fervor dos desertos árabes.
É tão incerta e carente de respostas como seu próprio sentido.
Não é racional, não se explica. E olha que eu já tentei.
Sentir saudades é como ter uma parte da alma eternamente arrancada, mas também é saber que, em algum lugar, a felicidade existe.
E te espera.

...

"...O vento frio que anuncia a chuva, bateu no seu rosto, e por um breve momento, ele sorriu.
Era aquela velha sensação de cócegas na barriga. Só que por dentro.
Ele sabia o que mais o vento lhe trazia, olhou pro céu e respondeu:

- Eu estou voltando, Anita."

 



Escrito por Igor às 18h04
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Crippled Inside.

Você pode tomar remédios pra emagrecer, tentar sacar de literatura e cinema "clássico", pagar de alternativo, você pode ouvir
bandas que você acha que ninguém escuta, e talvez ninguém as escute mesmo, porque elas simplesmente são ruins, e no fundo você gosta
simplesmente pelo prazer da exclusividade. Exclusividade. Você pode achar que é exclusivo, você pode acreditar que faz seu
próprio estilo, que segue suas regras, que não vai dar a mínima para o que as pessoas dizem. Você dá. Você vive e morre pelo que os outros dizem,
só não enxerga isso.
Você pode achar que óculos escuros a noite não é legal, você pode usar all star, ou sandálias. Você pode achar outras
pessoas sem noção do ridículo. Você pode rir delas, você pode desdenhá-las. Você pode achar certas pessoas muito patéticas.
Algumas tão patéticas quanto você.

Você pode não acreditar em Deus,ou não acreditar em muitas coisas, mas você pode fingir que acredita por conveniência. Conveniência.
Você pode casar-se por conveniência. Você pode achar que você é até bonitinho, hoje em dia tem muito feio se iludindo, mas não existe meio termo
ou você é bonito ou não é.
Você pode ir a igreja, ou ficar em casa aos domingos. Você pode cantar hinos, ou rock n' roll. Você pode achar que escreve bem.Você pode acreditar que saca tudo de poesia escrevendo coisas idiotas que só tem sentido pra você.
Você pode achar que tá sempre tudo bem, ou não. Você pode querer pagar de moralista às vezes.
Você pode fazer direito, ou qualquer outra humana, lógica ou biológica.
Você pode querer achar que você é você mesmo, mas você também é o que os outros são.
Os outros, de novo. Você pode se isolar do mundo com seus amiguinhos malvadinhos e se deliciar com um bom vinho e as vidas alheias
Você pode fazer isso, porque não tem vida. Ou pelo menos uma que valha a pena compartilhar com alguém.

Você pode disfarçar suas espinhas, você pode alisar o cabelo, você pode fingir que não é sexista, você pode esconder tudo, afinal
até o Roberto Carlos escondeu uma perna mecânica esse tempo todo.

A unica coisa que você não pode esconder, é quando você é aleijado por dentro.



Escrito por Igor às 12h35
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Carta para quando eu partir.

Se um dia eu partir, devo ir feliz.

Cheio de uma felicidade que não se mede por parâmetro algum. Beira a idiotice. Mas é a única felicidade que é sincera, despretensiosa,
não depende de grana, mérito, do que você fez ou deixou de fazer. Depende simplesmente de quem você é.
No final, somos todos energia, condensada no tempo-espaço. Nada além disso.

O tempo nunca quis correr mais depressa, e nem vai. Quem corre demais somos nós. O mundo esquece de contemplar o próprio
mundo. E os efeitos são devastadores. É como uma pessoa que passa vinte anos sem olhar-se no espelho. E quando se vê, não sabe
o que fazer. Há muito não sabemos. E há muito olhamos mais para os outros que para dentro de nós mesmos.

Eu sempre olhei-me no espelho, e às vezes o espelho também olhava pra mim. A imagem refletida me dizia, que eu também nada mais
era que outra imagem refletida. E se a verdade é o lado de lá? "A realidade é real mas não é verdadeira". Amém.

Toda verdade está escrita em cada segundo que deixamos de perceber. E eu desconfio de uma Verdade Absoluta, mas talvez eu me vá
sem saber qual é. Isso não é de todo ruim, terei sempre o que fazer do outro lado.

O tempo não cura nada, não desperta nada, e não é senhor de ninguém. O tempo é somente o tempo. Ele só domina quem não
é senhor de si mesmo.

Se deixar dominar é tão fácil, e tão sedutor. É como um cavalo que se deixa domar...ele é preso, amansado, e terá vida tranquila,
puxando uma carroça, ou com pessoas montando em cima. Sempre usando um cabresto.

As vezes rio de metáforas inúteis como essa, haha, rio, relincho e dou coice, porque quando me for, vou um alazão livre. Que pode
ter que viver a vida inteira correndo de um lado pro outro, sem ter aonde chegar. Mas se eu chegar, foi porque eu quis.

A palavra mais bonita de se ouvir, que eu conheço, é "liberdade"...quando a escuto no Hino Nacional, é quando mais me arrepio.

Pra mim, a liberdade é o único motivo plausível de se lutar. Seja lá na conotação que for. Liberade de
ser, pensar, amar. Quantos homens de bem, pelos séculos e aeons, não queimaram suas próprias vidas nesse Fogo?

[A nossa história começa muito antes do que pensamos. Outras civilizações já habitaram o planeta, muitas mais avançadas que a nossa, cumpriram seu ciclo e não existem mais. Extraterrestres existem.
E estão por aí. A velocidade da luz não é a velocidade máxima do Universo. Existe mais de um Universo. Mas a maneira como o vemos, é como a de um homem simples, caminhando pela terra: ele crê que ela é infinita, mas ela é redonda e limitada. O sobrenatural é natural. São algumas coisas que queria dizer, mas não sei o porquê]

Se um dia eu partir, tomara que não me arrependa de nada que fiz. O que está feito, está feito. E precisava acontecer pra eu me encontrar aonde estou.

Todos nascemos com um propósito, mas várias possibilidades, e não importa o caminho que você tomar...ele sempre vai acabar no mesmo lugar.
Agora, se você vai chegar, ou não, é problema seu.

Se um dia eu partir, eu quero música, não lágrimas. A música rege tudo e o Todo baseia-se na cadência das suas 7 notas musicais.

Todo mundo pode dizer o contrário, e esses são os dias em que rimos de uma palavra antiquada, tratada como síndrome, mas o Amor existe, e está por aí.
Sempre esteve, e sempre estará. E sempre, só precisa de uma chance.

Esta talvez seja a última dança da humanidade.

...

Sou eternamente grato,
Pelo fato de sempre saber, de onde eu vim
E quem eu sou.

Me orgulho das minhas raízes.

Mas o Amor, o Amor me deu asas
E eu preciso voar.



Escrito por Igor às 03h49
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Pó da estrada

Eu sou estrada,
E por mim passam todas as pessoas,
Certas ou erradas.

Mas meu rumo é um só,
E nem elas
Nem o tempo,
Nem o pó,
Desviam-me de meu intento.

Talvez eu não dê em lugar algum.
Mas só de andar tanto chão
Já não sou mais um.

Escrito por Igor às 04h18
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ain't too pure to be a pink.

I know you're not as rigth
As it seems.
You know deep inside you still see me,
In your dreams.

Guess it's not to late,
For you to call me.

I've been waiting for so long,
Sandra Dee.



Escrito por Igor às 03h50
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Leviatã

O homem luta contra a fera
Que é o próprio homem,
Enjaulado em si.

E cedo ou tarde
Só lhe resta escolher
Como ele deixará ela o devorar.



Escrito por Igor às 03h15
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mesmice II

A chuva é sempre a chuva
A terra é sempre a terra
A morte é sempre a morte
E até que algo extraordinário aconteça,
A única coisa que podemos mudar, são as idéias.


Escrito por Igor às 03h14
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mesmice.

Don Juan se foi
Casanova também,
Agora sou apenas eu,
Mais ninguém.

 



Escrito por Igor às 03h13
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Orgulhosa(mente).

Não sei mais sorrir
Sem um pouco de angústia,

Não sei mais se há sentido
Ou a vida é toda lúdica.

Sei que em viver, há um quê de desespero.

E quem deixamos morrer primeiro?
O orgulho ou a paixão?


Escrito por Igor às 04h26
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Ultimo Soneto da atriz Mishelle K.

Meu drama é um cinema mudo,
Carente de emoção,
Cores, falas e tudo
É uma película sem direção.

Eu grito e me desespero
Mas ninguém escuta o que digo
É só uma imagem na tela,
E só minha vida, sem brilho.

Um sábio espectador me diz
Que todo film noir
Não tem final feliz.

Mas eu espero além das telas
Quem sabe te lembras que além delas
Ainda há coração.

Escrito por Igor às 04h09
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fronteira.

O amor só deve limitar-se
Pelo próprio amor,
O amor próprio.

Escrito por Igor às 04h07
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desistência.

Eu não quero dizer mais nada.
Não quero fazer mais nada.

Cansei-me de parvoíces.

Agora eu simplesmente quero ver no que dá.

Escrito por Igor às 00h34
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Benu

É fogo tudo que sinto
A queimar cada segundo
Do meu viver indistinto.

E a chama que me arde,
Me cura.
Que me consome,
Me renova.

E o que me doía
a um instante,
agora é distante.

Distonante de mim.

Escrito por Igor às 00h13
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máximas V

Eu não quero alcançar a eternidade,
Quero que a eternidade me alcance.


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Com estas mãos, tudo é mais fácil.
Elas carregam as marcas de muitas outras antes destas.

Escrito por Igor às 00h03
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