Tabacaria.


Bromélias. Parte III

   Olha essa é a parte mais complicada, eu já escrevi e reescrevi essa terceira parte e não consegui o que queria. Ou essa parte tem cem páginas ou apenas umas três. Então vou deixar que a própria história se conte sozinha.

...

   É desnecessário dar mais detalhes de como eles se conheceram. Vocês todos já devem estar acostumados com esses clichês de comédia romântica, e bem, foi exatamente como um.
   Ele a encontrou num desses maravilhosos acasos do destino, que só acontecem uma vez na vida. E como se os dois soubessem disso, se amaram desde a primeira vez em que se viram e como nunca amariam ninguém na vida.
   Quem não os conhecesse bem não poderia dizer onde um começa e o outro termina, eles eram parte indivisível um do outro e lá no fundo acho que eles entendiam isso, que estariam ligados para sempre.
   Ah...

...

   Eu não sei se foi o tempo, a distância, alguma reviravolta estranha do destino, mas qual não foi minha surpresa quando descobri que estavam separados, cada um em um canto do mundo.
   Ela estava bem, continuava linda, tinha uma vida estável, um relacionamento tranquilo.
   Ele, que sempre foi de uma natureza mais desregrada, nunca recuperou-se completamente. Não que isso o tenha deixado pior que naquela quarta-feira, quando ele resolveu chutar tudo. Não. Ele estava melhor, mais centrado, se dando bem na vida.
   Qual não foi minha surpresa quando descobri que um dia desses ela o escreveu. Os dois riram por horas de fotos que tiraram juntos. Ela disse que o amava, apesar de tudo. E o amaria pro resto da vida.
   Qual não foi minha surpresa quando ele sorriu, como há anos não sorria e respondeu também que apesar de tudo, ele nunca havia deixado de amá-la um segundo sequer da vida...e nunca deixaria.
   Os dois riram mais um pouco e se despediram.
   Naquela noite, chovia bastante, quando ele resolveu abrir a janela. Tentou enxergar alguma coisa, mas só havia um brilho pálido da lua por trás das nuvens carregadas. Ele disse qualquer bobagem e lembrou que eles sempre se diziam que saudade é só pra quem foi feliz.
   Ela, a alguns milhares de quilômetros dali, deitou-se com aquela mesma frase na cabeça.

Muito tempo passou...e desde então eu nunca mais tive nenhuma notícia dos dois.



Escrito por Igor às 02h59
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sobre a caneta.

Existem pensamentos que devem ser escritos. Outros não.
Não pela confidencialidade, por serem assombrosos, vultos permeados de confissões e angústia. Nem por serem mesquinhos, irracionais, passíveis de reprovação.
Nada disso.
Escrever um pensamento é imbuí-lo de uma humanidade sem precedentes. Escrever um pensamento é quase como limitá-lo...trazê-lo do infinito Campo das Idéias para um destino tão torpe e vil que é o juízo humano.

Não obstante, tudo que está escrito é potencialmente perigoso.



Escrito por Igor às 02h56
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Bromélias. Parte II

Ela era a menina mais linda do mundo todo.
   Linda e talvez um pouco triste. Porque me parece a sina de todas as pessoas muito bonitas um quê de solidão.
   Tinha a pele branca e macia. Olhos de um azul profundo, tão profundo que pareciam não ter um fim. Os cabelos longos, meio bagunçados, esvoaçavam ao vento.
   Ela era cativante em tudo, o jeito que ela falava, cantava, ria.
   Talvez ela não soubesse que era a mulher mais encantadora do mundo. Ou talvez ela simplesmente não se importasse muito com isso.
   Acho, particularmente, que era um pouco dos dois, ela não sabia e se soubesse não se importaria. Luxos de pessoas bonitas.
...

Ela andava chateada, mas nem ela sabia o porquê. Até esboçou um ou dois motivos, mas nenhum fazia muito sentido. Ela queria, ela precisava conhecer gente nova, mudar de ares. Mas ela nunca tivera um forte para relacionar-se com ninguém. Hora de mudar.



Escrito por Igor às 20h22
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Major Tom



No espaço eu sentiria falta de muita pouca coisa.
Como um longo e prazeroso banho quente.
Como a brisa fria, logo antes de amanhecer.
Como a comida lá de casa.
Como você.



Escrito por Igor às 19h41
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cold

Wish I could write you a love song.
But all I can say
Is goodbye.



Escrito por Igor às 19h32
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Bromélias. Parte I.

Ele acordou, meio como se não quisesse acordar. Em parte porque biologicamente falando é complicado dormir excessivamente tarde e acordar cedo. E ele sempre dormia demasiadamente tarde. Depois porque manhãs frias traziam memórias que ele queria enterrar nas camadas mais profundas da sua mente.
Enterrar, porque não lhe era possível desfazer-se delas. E olha que ele já havia tentado. Muito.
   A memória persistia, tenra e excruciante ao mesmo tempo. Como o conforto daquela cama quente frente a inevitabilidade de levantar-se. Era mais ou menos o que ele sentia. Ou ao menos aparentava. Nunca o conheci muito bem.
   Vou alongar-me no assunto, com a devida licença.
   Não é que ele não gostasse das manhãs frias. Pelo contrário, ele as adorava, assim como adorava aquela memória. Mas lembrar era como encarar o frio nú. Acho que agora me fiz entender.
   Ele resmungou algo inaudível e sentou-se na cama como sempre fazia, procurando finalmente coragem pra sair dali.
   “E hoje ainda é quarta-feira” rosnou numa voz cavernosa, quase indecifrável. As quartas-feiras sempre foram uma icógnita na sua cabeça.
   Será que gavia de fato alguém que gostasse ou odiasse as quartas-feiras? As pessoas, inclusive ele, odeiam as segundas e adoram as sextas. Nem feriado na quarta-feira é lá tão animador. Ninguém espera nada de extraordinário de uma quarta-feira. Foi por isso que ele resolveu ir atrás daquela memória exatamente naquele dia.  Digo, porque ele tinha a memória, mas ela ainda não havia acontecido.

...

É uma arte nobre, perseguir memórias que ainda não existem.
E é um fato menos raro do que se imagina, ter memórias do que nunca aconteceu.

...

   Então ele levantou-se e saiu, não para a rotina quase automática dos dias úteis. Não. Ele deixou um bilhete, com os dizeres:  “Saí pra ganhar o mundo, porque cansei de perder”, e logo embaixo: “mas estou no celular”.
   Era um bilhete sem sentido e inútil, até porque descobriu-se depois que ninguém o leu. Ninguém respeitou o impacto poético daquelas palavras confusas naquele pedaço de papel. Quando deram por sua falta por mais de um dia, ligaram direto para a polícia, que recomendou que alguém tentasse o celular.
   Tentaram...e funcionou, claro. Faltou comunicação. Sabe, 92% dos problemas do mundo são por falta de comunicação. 6% por causa de mau gosto com decoração, verdade, há rumores que Hitler só invadiu a França porque curtia um kitsch e os franceses execravam aquilo e faziam piadinhas sobre o gosto duvidoso para decoração do Führer . E também tinham aquela torre em Paris. Infelizmente, ou não, a história não deu tempo ao pintor megalomaníaco de Viena para confirmar tais rumores.
Os outros 2% são por causa de biscoitos. Sério.

...

- Ah, eu já tô um pouco longe – ele falou.

- Não, não sei quando volto e...
- Outro estado, não sei qual...sei, mas não quero falar.
- Ok, Minas, mas não vou ficar aqui...escuta, ninguém leu meu bilhete?
- Como assim que bilhete? O bilhete que eu deixei aonde sempre deixaram-se os bilhetes, avisando que eu ia viajar, não é culpa minha se jogaram...
- Ah...não jogaram. Vocês só não pensaram nisso.
- É, eu sei...ninguém deixa recados importantes na quarta-feira.



Escrito por Igor às 19h15
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requiém.

Abre,

Partir é tão simples quanto chegar.
Você se lembra, realmente, de como começou qualquer um dos seus sonhos?
Você se lembra, realmente, de como começou a sua vida?

A vida é um eterno abrir e fechar de olhos.

Fecha.

pelo Escritor dos Círculos.



Escrito por Igor às 18h09
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reflexão para antes de subires ao palco.

Somos todos seres transitórios
E não há razão para o contrário.
Deixemos o absoluto, cuidemos dos relativos.
(Direis), que mais sentido há senão significar a vida?
(Eu lhe diria) vive, que o sentido lhe é corolário.

 

Armand Gille




Escrito por Igor às 11h53
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ah...

que bom que esse blog é teoricamente secreto, que daí posso desabafar todas as besteiras que eu quiser, quando eu quiser,
porque eu quiser.
sei que casualmente alguém vai aparecer, porque o contadorzinho de visitas ali continua subindo
mas como bons visitantes, vocês aparecem e vão embora sem deixar vestígios, sem fazer apelos. assim como quase tudo na minha
vida.

eu não sei porque tô escrevendo isso. então vou parar. tchau.



Escrito por Igor às 04h34
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Anita 1

Venho pensando sobre o dia que eu te reencontrar. Cheguei até a sonhar com isso.
E é tanta coisa pra um momento só, que eu não sei se qualquer uma delas vai sair como planejado.
Eu quero dizer tanta coisa. Mas pensar nisso me faz não querer dizer nada...só me perder num abraço que eu espero há tanto tempo, que eu não sei se uma vida de abraços iria me bastar.

Eu lembro de cada beijo. E ainda carrego o último que você me deu. Triste, de quem é obrigado a dizer adeus. Mas nunca resignado. 
Quis o destino que nos despedíssemos muito. 

E nunca tivemos nada do nosso lado, nem o tempo, nem a distância. Mas tivemos sorte.
Porque eu nunca conheci, pessoalmente, nenhum amor que não morra com a adversidade. Que não morra com o tempo, que não morra com a distância.

No entanto, eu estou aqui. E eu tenho certeza que você pode me ler e sentir a mesma coisa.
E é por isso tudo que eu vou te encontrar, mais uma vez. 

Porque não há mais nada nesse mundo que eu queira como nunca mais ter que partir.

 



Escrito por Igor às 11h24
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de alguns amores (que tive).

Tive alguns amores que ficaram pela metade. Alguns porque eu quis, outros porque não me quiseram mais. E até uns que nunca chegaram a acontecer.

E alguns dias, quando me dá saudade dessas coisas, eu não sei se eu fico alegre ou triste.
Porque minha cabeça se enhce de "e se...?" Mas aí acabo por concluir que isso é natural em qualquer ser humano.

Dentre esses, sempre tem aquela lista de uns 4 ou 5 que você gostaria de rever, de sentir se o abraço ainda é o mesmo, se o beijo ainda dá arrepio, se as mãos ainda se entrelaçam  como antes. 
Não é vontade de viver o passado, não me entendam mal, porque eu aprendi que as coisas acontecem, têm seu momento, são ótimas e acabam. Sentir falta de coisas e momentos com alguém é preciosismo.

Sentir falta das pessoas é saudade.

E aí que a gente entende a diferença entre quem já passou e quem nunca passa. Porque podemos viver um ano inteiro, dois, vinte com alguém e essa pessoa não fazer falta nenhuma.
Mas existem pessoas que só vimos umas duas ou três vezes, mas que a gente lembra pro resto da vida.

Porque, a duras penas tenho que admitir, tem gente que eu odeio, mas que eu sinto tanta falta, mas tanta falta, que as vezes me dói não ter feito nada a respeito quando tive a chance.
(mas eu sou muito orgulhoso e não dou o braço a torcer)

Acho que se tivéssemos menos incertezas sobre o que é gostar de alguém a vida ia ser mais  fácil, nível very easy e a gente ia zerar o jogo rapidinho. Afinal, o que é pra você descobrir que gosta de alguém? É um beijo que combina? É aquela sensação de segurança? É uma atração física que parece bruxaria? É a capacidade do outro de te fazer rir? É tudo isso junto, ou nada disso?

Sei lá. Sério, eu também não sei responder. Se eu soubesse não estaria aqui escrevendo esse texto, ia estar escrevendo um manual de vencedores, haha.
Mas eu também perdi. Nas vezes que não queria ser nada, perdi muito que foi e que poderia ter sido. 
Mas também perdi muito por querer ser demais.
Perdi a hora de fazer as coisas. Cedo demais, tarde demais. 

Mas não perdi a chance de aprender uma coisa ou duas. E se tudo der certo, vou morrer aprendendo.

A vida segue uma melodia, sério...e as vezes a gente perde o compasso...e é aí que as coisas dão errado. Aprender a retomá-lo a tempo e improvisar é o que difere as pessoas interessantes das comuns.

 

E só.



Escrito por Igor às 11h13
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incongruências

 

Aquele havia sido o mais trágico acidente desde o ano passado. O policial rodoviário anotou na prancheta os dados frios que transformavam aquela tragédia em estatística.
Não havia sobrado ninguém.
Quando, naquela mesma noite, ele chegou em casa e foi deitar, aquelas imagens atravessavam de forma assustadora entre as suas preces noturnas. 
Sua cabeça funcionava da forma mais maniqueísta possível, fruto de uma longa vida de conformismo religioso e um cumprimento honrado e impecável da sua profissão.
Sendo assim, rogou para que as boas almas levadas mais cedo pudessem ir para o céu. E adormeceu.
Ao dormir, teve um daqueles sonhos em que se enxerga tudo na primeira pessoa. E sonhou com uma das crianças mortas no acidente e sua chegada ao céu.  Viu-se em uma fila num lugar em meio à penumbra e quando foi sua vez de entrar e a porta finalmente abriu, então ele viu a luz.
Tudo era perfeitamente limpo, perfeitamente lindo, perfeitamente calmo e perfeitamente chato.
Aquela criança não via muito sentido naquilo tudo, quando foram encaminhados por doces planícies verdejantes até suas moradas eternas, afim de não fazerem nada. Nas horas vagas, que aparentemente eram todas, eles podiam fazer o que bem entenderem (desde que, claro, estivesse em conformidade com as normas do céu), mas depois que esgotaram todas as brincadeiras pueris que lhes eram permitidas, aquela criança entediou-se e não quis brincar mais.
Logo, vendo-a, as outras crianças que ali estavam também cansaram de repetir eternamente as mesmas coisas e juntaram-se a ela num lamento. Vendo aquilo como uma probabilidade de se arruinar a perfeita harmonia, equilíbrio e paz do Paraíso, as autoridades competentes logo as encaminharam para um "centro de aconselhamento" que parecia-se uma escola.
Lá, novamente era tudo calmo e perfeito, mas as crianças deviam respeitar as regras e rir no momento de rir. Mas crianças como aquela riam de tudo o tempo todo. E ela chateou-se tão logo que não o pode fazer.
Então ela fazia reinações e adorava ver as outras crianças rirem das suas peraltices, a coisa fugira do controle. Foi quando de repente uma figura imponente, do qual o brilho quase ofuscava os olhos, adentrou-se na sala:
"O que significa isso!?" - perguntou.
A criança levada, que estava em frente ao quadro escreveu, em letras garrafais:
"Democracia".

O velho policial acordou de súbito, ainda no meio da noite, tentando entender o significado daquilo tudo. Vendo que não conseguia, tomou um copo de leite e voltou a dormir, afinal, ele trabalha cedo amanhã.

 

 



Escrito por Igor às 11h40
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Estrelas Variáveis

Existe para as estrelas, um faixa de instabilidade. Quando uma estrela cruza esta faixa de instabilidade, é inevitável que ela mude, periodicamente, seu tamanho e luminosidade. 
Às estrelas que estão passando por este processo são chamadas de estrelas variáveis. 
E são chamadas assim porque absorvem energia quando são comprimidas e liberam energia quando se expandem. Se estas camadas estão próximas à superfície da estrela ela oscila. 
Assim como nós oscilamos.

 

Essa noite eu sonhei de novo que a realidade era mais um sonho.
E eu acho que dei saltos quânticos entre as várias camadas de existências paralelas.

Sabe quando você acorda, faz alguma coisa, mas depois acorda de novo e percebeu que aquilo era um sonho? E é tão real, tão real que você se confunde se realmente aconteceu ou não?

Isso tem acontecido com frequência comigo, hoje eu tive nada menos que 3 sonhos dentro de outros sonhos, antes de acordar.

Eu acredito que, nós, assim como o Universo, não somos um só e estamos comprimidos em  várias camadas de existência, e de vez em quando, por algum capricho que eu desconheço, enxergamos através das mesmas. Mas nem nos damos conta.

É como enxergar meus discos de vinil, vários instrumentos comprimidos numa só gravação, afim de que se execute cada melodia. 
Assim somos nós, partes separadas regidas pelo destino para convergirem todas ao mesmo lugar.

 

"Vou partir. E bem pode, quem parte,

francamente aqui vir confessar-te

que bastante razão tinhas, quando

comparaste meus dias a um sonho.

Se a esperança se vai, esvoaçando,

que me importa se é noite ou se é dia...

ente real ou visão fugidia?

De maneira qualquer fugiria.

Tudo o que vejo, o que sou e suponho

não é mais do que um sonho dentro de um sonho."

   Poe.



Escrito por Igor às 10h29
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O Partisan (ou Chant de Liberté, par les mains et les yeux d'Armand Gille)

 

Não sei se essa ainda é a França
Ou se esse ainda sou eu
Se ambos morremos, como nossos filhos e amigos
E agora não somos mais do que sombras
(Pâles fantômes, en chuchotant pour la liberté)
Pálidos espectros, sussurrando por liberdade

Não sei se a vida ainda conduz essa dança
Ou se agora a dança sou eu
Minha casa é onde há esperança
Que há muito deixou de habitar meu coração
(Ans sont des décennies, pour ceux qui ont perdu)
Anos são décadas...anos são décadas para quem perdeu

Não sei se ainda consigo escrever
Ordenar meus pensamentos, entoar uma canção
Sinto nuvens tão densas
Anunciando que são eternas algumas mudanças
Assim como foram as perdas
(Nous ne seron jamais les mêmes, mais nous serons encore France)
Nunca mais seremos os mesmos
Mas ainda seremos a França

Sinto cheiro de pólvora e ardil
É a nossa resposta as mordaças e a tirania
Há um grito varonil
Sufocado na garganta, na Maginot
Nas valas de corpos dos nossos irmãos
(En avant, Partisans! Avec des yeux ardents, et les armes dans les mains)
Avante, Partisans!
Com chamas nos olhos e armas nas mãos!

Coragem, franceses, coragem!
Que o caminho que conduz à glória
É o mesmo que leva à perdição
Não tenho palavras de conforto
(Non, ce n'est pas le moment, mais toujours nous crions ensemble pour nous frères)
Não, essa não é a hora
Mas ainda choraremos juntos por nossos irmãos

Agora vem, deixa este que já se foi
Porque cedo ou tarde, também iremos nós
E se por ventura eu for, deixe-me também
(Parce que la mort peut  attendre, la mission n'est pas!)
Porque a morte pode esperar, 
A missão não!

Ouve ao longe! São risos de crianças!
Que até tão pouco tempo atrás também éramos
E também riamos tanto.
A guerra nos fez homens, cheios de mágoa.
(Aux armes, par les enfants!)
Às armas, pelos pequeninos!
Para que seus risos continuem sendo música
E não restos de lembranças

Temos tão poucas balas
E poucas chances de amanhecermos vivos
Mas lutai, amigos, lutai!
Pois o sol ainda nasce, quer estejamos aqui para vê-lo ou não
(Ce soir est notre souper en enfer)
Essa noite, nossa ceia é no inferno
E aos que tiverem sorte, também a de amanhã

E cairemos,
E levantaremos novamente,
Até que não haja mais nenhum francês vivo
Ou até que não hajam mais opressores da liberdade.

Queimaram nossas casas,
Mas agora nossa casa é toda a França!

E agora a França somos todos nós!

Avante, Partisans!

 



Escrito por Igor às 10h43
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frases soltas

...love is silly, but then again, what else isn't silly in this silly world?



Escrito por Igor às 18h13
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